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quarta-feira, 17 de setembro de 2014
quinta-feira, 4 de setembro de 2014
Barroco: resumo e atividade sobre o período literário
Leia
o artigo: Barroco
Questões:
O Barroco
em Portugal desenvolveu-se do fim do século XVI (1580, Domínio Espanhol) até a
primeira metade do século XVIII (1756, Fundação da Arcádia Lusitana - Início do
Arcadismo). Suas
características mais peculiares firmaram-se, contudo, no século XVII, marcado
pela decadência do país, pela perda da autonomia,
pelo radicalismo, repressão e terror impostos pela Contra-Reforma
Católica e pela reação nacionalista, inaugurada com a Restauração
da autonomia em 1640.
Síntese das
características literárias do Barroco
Dualismo ou bifrontismo
É expressão de um homem
repartido entre forças e princípios rivais: esta vida e a outra vida; o mundo
daqui e o de além; o natural e o sobrenatural. O corpo tenta a alma e quer
queimá-la com a paixão; a alma castiga o corpo pecador, castiga-o com fogo
porque quer purificá-lo e reduzi-lo a cinzas.
Desse espírito dualista
decorrem: na Literatura, a sobrecarga de antíteses,
paradoxos e oxímoros; na Pintura, o jogo de luz
e sombra, de claro
e escuro; na Escultura e na Arquitetura, a
exacerbação dos contrastes alto-relevo e
baixo-relevo, formas côncavas e convexas;
na Música, os esquemas polifônicos geradores do contraponto
e da fuga.
Fusionismo
É uma espécie de alquimia
dos contrários, visa a transformar toda diferença em oposição, toda oposição
em simetria e toda simetria em identidade. O diferente torna-se idêntico, o
outro torna-se o mesmo, como a imagem refletida no espelho, que contém em si o
idêntico e o diferente, a igualdade invertida.
Pessimismo - dúvida e
incerteza
Vivendo na órbita do medo
e da dúvida, a arte barroca expressa uma visão desencantada do homem e do
mundo. Retoma-se a concepção bíblica de que o homem é pó e ao pó reverterá.
Como antes, na Idade Média, e depois, no Romantismo, a morte
é uma preocupação constante, ao lado da dolorosa consciência da fugacidade
do tempo e da incerteza da vida.
Feísmo
Rompendo o equilíbrio
clássico, opondo-se à harmonia, sobriedade, simetria, clareza e elegância dos
clássicos, o Barroco tem acentuada predileção pelos aspectos cruéis, dolorosos
e sangrentos, pelo locus horrendus,
substituindo o locus amoenus. Há
uma atração pelo "belo horrendo",
pelo espetáculo trágico, deformando as imagens pelo exagero. Nessa direção, a
intensidade, a violência e o impulso pessoal afastam o Barroco da disciplina
clássica, impondo uma expressão tumultuada e turbulenta, próxima do Romantismo.
O sublime e o grotesco, o idealismo puro e o erotismo escatológico são ainda
formas extremas dessa concepção do homem como "santo pecador", como
"anjo demoníaco".
Religiosidade
Época de violentos
conflitos espirituais, a religiosidade barroca é tensa, exacerbada e
conflituosa. O misticismo, fanatizado pela atuação vigorosa da Igreja Católica
Contra-Reformista, impõe a visão do homem como pecador imundo, que só se
redime pela renúncia aos prazeres mundanos, pela fé, pela penitência e, no
limite, pela auto-flagelação. Mas essa herança medieval, teocêntrica, esbarra
no legado renascentista, racionalísta e antropocêntrico. Assim, o homem barroco
tende a racionalizar a fé, a se valer de argumentos racionais na busca da
salvação, manipulando, por meio dos recursos da lógica, os dogmas religiosos
e as metáforas bíblicas na busca do perdão divino.
Particularismo
Ao contrário da arte
clássica, que é universal em projeções e uniforme nos traços, a arte barroca
tende ao particularismo, à valorização das coordenadas locais. Grosso modo, há
duas grandes linhas no Barroco:
a que deriva do
catolicismo contra-reformista e reflete a exacerbação do terror religioso (Santa Inquisição)
e político (Absolutismo),
chamada Barroco das Cortes Católicas, ou
Ibérico-Jesuítico, prevalecente na Espanha, em Portugal
(incluindo suas colônias) e na Itália; e
a que reflete o triunfo do
protestantismo reformista e a emergência de uma burguesia capitalista forte e
articulada, como ocorreu na Holanda e na Inglaterra — o chamado Barroco
das Cortes Protestantes.
Nessas duas linhas estão
contidas inúmeras denominações locais que a literatura seiscentista foi
tomando: Marinismo (na Itália), Preciosismo
(na França), Eufuísmo (na
Inglaterra), Silesianismo (na Alemanha),
Culteranismo, Gongorismo, Conceptismo e Quevedismo
(na Espanha e em Portugal).
Atitude lúdica
Frequentemente os textos
barrocos parecem pobres de conteúdo, vazios de mensagem, como se o artista, sem
grandes certezas, estivesse mais preocupado em exibir suas habilidades verbais,
surpreendendo o leitor pelo virtuosismo, pela engenhosidade, pelas associações
inesperadas, pela construção de uma linguagem labiríntica, sobrecarregada de
sutilezas, trocadilhos, construções arrevesadas e imagens insólitas. O artista
barroco não diz, sugere por meio de imagens. Sangue
é o "rubi do corpo"; leque é o "zéfiro manual"; dentes
podem ser "os marfins", "as pérolas" ou as "mobílias
da boca"; lágrima é "o cristal dos olhos".
Abusando das figuras
semânticas, sintáticas e sonoras, o estilo barroco é muitas vezes
"pesado", hermético, estéril, artificial, rebuscado, frívolo,
afetado. Por isso, uma parte da crítica o via como "arte
do mau gosto", "classicismo degenerado", fazendo
eco à própria denominação do estilo: barroco parece ter se originado do nome
de uma região indiana que produzia em abundância um tipo especial de pérola, de
superfície áspera, irregular, que apresentava "manchas" escuras. Essa
região da índia, que os comerciantes chamavam Barróquia,
teria originado barrueco (espanhol) e barroco (português), termo que passou a
designar não só uma "pérola irregular", "defeituosa",
"rara", "insólita", como um estilo artístico que, visto da
tradição clássica da perfeição e equilíbrio, era um estilo
"irregular", "defeituoso", "de estranho mau
gosto".
Essa atitude lúdica (ludo
= jogo) foi muito cultivada nas academias literárias da época, que abrigavam a
elite letrada do século XVII. Nessas academias cultivavam-se: a frivolidade, o
malabarismo verbal, a bajulação dos poderosos e a exibição da habilidade na
manipulação de palavras e conceitos. Os acadêmicos dessa época notabilizaram-se
como construtores de acrósticos, eméritos bajuladores e glosadores de motes,
como: "Amor com amor se paga e Amor com amor se apaga",
"A uma dama que não sorria para mostrar a falta que tinha de um dente",
"os desmaios de uma dama", "o bolo podre e a conseqüente
disenteria". Pouco se aproveita dessa produção acadêmica.
Cultismo ou Gongorismo
É o aspecto do Barroco
voltado para o jogo de palavras e imagens, para o rebuscamento da forma, para
a ornamentação exagerada, para o preciosismo vocabular, para a erudição
minuciosa, enfim, para surpreender o leitor com a espantosa habilidade verbal
do autor. Retrata a realidade de maneira indireta, realçando mais a forma de
representar que o representado.
É a vertente do Barroco
que procura envolver o leitor pelos estímulos sensoriais, descrevendo o mundo
por meio de sensações, especialmente as de cor e som, num estado de
"delírio cromático". Esse processo de identificação (ilusória,
sensorial, não-racional) apóia-se em metáforas, trocadilhos, paronomásias,
perífrases ou circunlóquios, antíteses violentas, hipérboles, sinestesias,
prosopopéias e gradações. Além desses
processos semânticos, o autor barroco prefere inverter a ordem direta da frase,
imitando a sintaxe latina. Daí a frequência dos hipérbatos.
Vale-se ainda, no plano sintático, de omissões (elipses e
zeugmas) e de repetições (anáforas,
epístrofes, anadiploses e quiasmos). No plano
sonoro, o Barroco não economiza aliterações, assonâncias, ecos e
coliterações. Não cabe aqui estudarmos todos
esses recursos da linguagem cultista ou gongórica, o que faremos à medida que
forem aparecendo nos textos que selecionamos.
Conceptismo ou Quevedismo
E o aspecto do Barroco
voltado para o jogo de idéias, para a argumentação sutil que visa a convencer
pelo raciocínio. Configura uma atitude mais intelectual, destinada a
reconhecer e conceituar os objetos. Enquanto o cultismo procura descrever,
apreender o como dos objetos, por meio da captação de seus aspectos sensoriais
(contorno, forma, cor, volume), o conceptismo pesquisa a
essência dos objetos, quer saber o que são, buscando apreender a face oculta
das coisas, apenas acessível ao pensamento, ou seja, aos conceitos. Evitando a
aparência brilhante do cultismo, o conceptismo economiza palavras e imagens e
opera os mecanismos da Lógica (silogismos, sofismas, paradoxos etc), postos a
serviço principalmente da religião. Daí sua maior presença na oratória sacra
(Pe. Vieira, Pe. Manuel Bernardes) e na poesia religiosa (Gregório de Matos).
Apesar de distintos,
cultismo e conceptismo são faces de uma mesma moeda chamada Barroco. Como
observa Dámaso Alonso:
essa paixão barroca, poderíamos dizer
que o Gongorismo a expressa como uma labareda para fora e o Conceptismo como
uma reconcentração para dentro.
Baltazar Gracián, autor de Agudeza y
Arte de Engenio e grande teórico do conceptismo espanhol, definia assim as
sutilezas do raciocínio conceptista:
Sem mentir, não dizer todas as
verdades; não há coisa que requeira mais esperteza que a verdade, que é um sangrar
do coração; tanto é importante sabê-la dizer como sabê-la calar (...) nem todas
as verdades se podem dizer; umas porque importam a mim; outras porque importam
ao outro.
É possível encontrar no
mesmo texto barroco elementos cultistas e conceptistas. Na prática, nem sempre
as fronteiras entre ambos é nítida, daí a grande confusão que alguns manuais
escolares trazem na caracterização dessas duas vertentes: ou, de forma
simplista, identificam cultismo apenas na poesia e conceptismo apenas na
prosa, ou classificam erroneamente os textos que usam como exemplos. É notório
que, quando se joga com idéias (conceptismo), em alguma medida é necessário
jogar também com as palavras (cultismo), que expressam essas ideias. Da mesma
forma, quando se joga com as palavras (cultismo), em alguma medida se joga
também com as ideias (conceptismo) que articulam as imagens em torno de um
sentido. Temos aí mais um aspecto do dualismo barroco, que
quer, ao mesmo tempo, descrever o mundo pelos sentidos e compreendê-lo por
meio da razão.
Refletindo a influência
dos modelos espanhóis, o cultismo em Portugal
e, por extensão, no Brasil, denomina-se Gongorismo, palavra
derivada de Luís de Góngora y Argote (1561-1627), nome
do maior poeta barroco espanhol. Da mesma forma, o conceptismo
é também conhecido por Quevedismo, em alusão
ao poeta Francisco Quevedo y Villegas (1580-1645),
cuja produção lírica, sacra e satírica influenciou fortemente, entre outros, o
nosso Gregório de Matos.
Questões:
01.
(UNIV. CAXIAS DO SUL) Escolha a alternativa que completa de forma correta a
frase abaixo:
A linguagem ______, o paradoxo, ________ e o registro das impressões sensoriais são recursos lingüísticos presentes na poesia ________.
a) simples; a antítese; parnasiana.
b) rebuscada; a antítese; barroca.
c) objetiva; a metáfora; simbolista.
d) subjetiva; o verso livre; romântica.
e) detalhada; o subjetivismo; simbolista.
02. (MACKENZIE-SP) Assinale a alternativa incorreta:
a) Na obra de José de Anchieta, encontram-se poesias que seguem a tradição medieval e textos para teatro com clara intenção catequista.
b) A literatura informativa do Quinhentismo brasileiro empenha-se em fazer um levantamento da terra, daí ser predominantemente descritiva.
c) A literatura seiscentista reflete um dualismo:o ser humano dividido entre a matéria e o espírito, o pecado e o perdão.
d) O Barroco apresenta estados de alma expressos através de antíteses, paradoxos, interrogações.
e) O conceptismo caracteriza-se pela linguagem rebuscada, culta, extravagante, enquanto o cultismo é marcado pelo jogo de idéias, seguindo um raciocínio lógico, racionalista.
03. Com referência ao Barroco, todas as alternativas são corretas, exceto:
a) O Barroco estabelece contradições entre espírito e carne, alma e corpo, morte e vida.
b) O homem centra suas preocupações em seu próprio ser, tendo em mira seu aprimoramento, com base na cultura greco-latina.
c) O Barroco apresenta, como característica marcante, o espírito de tensão, conflito entre tendências opostas: de um lado, o teocentrismo medieval e, de outro, o antropocentrismo renascentista.
d) A arte barroca é vinculada à Contra-Reforma.
e) O barroco caracteriza-se pela sintaxe obscura, uso de hipérbole e de metáforas.
04. (VUNESP)
Ardor em firme coração nascido;
pranto por belos olhos derramado;
incêndio em mares de água disfarçado;
rio de neve em fogo convertido:
tu, que em um peito abrasas escondido;
tu, que em um rosto corres desatado;
quando fogo, em cristais aprisionado;
quando crista, em chamas derretido.
Se és fogo, como passas brandamente,
se és fogo, como queimas com porfia?
Mas ai, que andou Amor em ti prudente!
Pois para temperar a tirania,
como quis que aqui fosse a neve ardente,
permitiu parecesse a chama fria.
O texto pertencente a Gregório de Matos e apresenta todas seguintes características:
a) Trocadilhos, predomínio de metonímias e de símiles, a dualidade temática da sensualidade e do refreamento, antíteses claras dispostas em ordem direta.
b) Sintaxe segundo a ordem lógica do Classicismo, a qual o autor buscava imitar, predomínio das metáforas e das antíteses, temática da fugacidade do tempo e da vida.
c) Dualidade temática da sensualidade e do refreamento, construção sintática por simétrica por simetrias sucessivas, predomínio figurativo das metáforas e pares antitéticos que tendem para o paradoxo.
d) Temática naturalista, assimetria total de construção, ordem direta predominando sobre a ordem inversa, imagens que prenunciam o Romantismo.
e) Verificação clássica, temática neoclássica, sintaxe preciosista evidente no uso das síntese, dos anacolutos e das alegorias, construção assimétrica.
05. A respeito de Gregório de Matos, assinale a alternativa, incorreta:
a) Alguns de seus sonetos sacros e líricos transpõem, com brilho, esquemas de Gôngora e de Quevedo.
b) Alma maligna, caráter rancoroso,relaxado por temperamento e costumes, verte fel em todas as suas sátiras.
c) Na poesia sacra, o homem não busca o perdão de Deus; não existe o sentimento de culpa, ignorando-se a busca do perdão divino.
d) As suas farpas dirigiam-se de preferência contra os fidalgos caramurus.
e) A melhor produção literária do autor é constituída de poesias líricas, em que desenvolve temas constantes da estática barroca, como a transitoriedade da vida e das coisas.
Texto para as questões 06 a 08
À INSTABILIDADE DAS COUSAS DO MUNDO
Nasce o Sol, e não dura mais que um dia,
Depois da Luz se segue a noite escura,
Em tristes sombras morre a formosura,
Em continuas tristezas a alegrias,
Porém, se acaba o Sol, por que nascia?
Se é tão formosa a Luz, por que não dura?
Como a beleza assim se transfigura?
Como o gosto, da pena assim se fia?
Mas no Sol, e na Luz falte a firmeza,
Na formosura não se dê constância,
E na alegria, sinta-se triste.
Começa o Mundo enfim pela ignorância
A firmeza somente na inconstância.
06. No texto predominaram as imagens:
a) olfativas; b) gustativas; c) auditivas; d) táteis; e) visuais.
07. A idéia central do texto é:
a) a duração efêmera de todas as realidades do mundo;
b) a grandeza de Deus e a pequenez humana;
c) os contrastes da vida;
d) a falsidade das aparências;
e) a duração prolongada do sofrimento.
08. Qual é o elemento barroco mais característico da 1ª estrofe?
a) disposição antitética da frase;
b) cultismo;
c) estrutura bimembre;
d) concepção teocênctrica;
e) estrutura correlativa, disseminativa e recoletiva.
09. (SANTA CASA) A preocupação com a brevidade da vida induz o poeta barroco a assumir uma atitude que:
a) descrê da misericórdia divina e contesta os valores da religião;
b) desiste de lutar contra o tempo, menosprezando a mocidade e a beleza;
c) se deixa subjugar pelo desânimo e pela apatia dos céticos;
d) se revolta contra os insondáveis desígnios de Deus;
e) quer gozar ao máximo seus dias, enquanto a mocidade dura.
10. (UEL) Identifique a afirmação que se refere a Gregório de Matos:
a) No seu esforço da criação a comédia brasileira, realiza um trabalho de crítica que encontra seguidores no Romantismo e mesmo no restante do século XIX.
b) Sua obra é uma síntese singular entre o passado e o presente: ainda tem os torneios verbais do Quinhentismo português, mas combina-os com a paixão das imagens pré-românticas.
c) Dos poetas arcádicos eminentes, foi sem dúvida o mais liberal, o que mais claramente manifestou as idéias da ilustração francesa.
d) Teve grande capacidade em fixar num lampejo os vícios, os ridículos, os desmandos do poder local, valendo-se para isso do engenho artificioso que caracteriza o estilo da época.
e) Sua famosa sátira à autoridade portuguesa na Minas do chamado ciclo do ouro é prova de que seus talento não se restringia ao lirismo amoroso.
A linguagem ______, o paradoxo, ________ e o registro das impressões sensoriais são recursos lingüísticos presentes na poesia ________.
a) simples; a antítese; parnasiana.
b) rebuscada; a antítese; barroca.
c) objetiva; a metáfora; simbolista.
d) subjetiva; o verso livre; romântica.
e) detalhada; o subjetivismo; simbolista.
02. (MACKENZIE-SP) Assinale a alternativa incorreta:
a) Na obra de José de Anchieta, encontram-se poesias que seguem a tradição medieval e textos para teatro com clara intenção catequista.
b) A literatura informativa do Quinhentismo brasileiro empenha-se em fazer um levantamento da terra, daí ser predominantemente descritiva.
c) A literatura seiscentista reflete um dualismo:o ser humano dividido entre a matéria e o espírito, o pecado e o perdão.
d) O Barroco apresenta estados de alma expressos através de antíteses, paradoxos, interrogações.
e) O conceptismo caracteriza-se pela linguagem rebuscada, culta, extravagante, enquanto o cultismo é marcado pelo jogo de idéias, seguindo um raciocínio lógico, racionalista.
03. Com referência ao Barroco, todas as alternativas são corretas, exceto:
a) O Barroco estabelece contradições entre espírito e carne, alma e corpo, morte e vida.
b) O homem centra suas preocupações em seu próprio ser, tendo em mira seu aprimoramento, com base na cultura greco-latina.
c) O Barroco apresenta, como característica marcante, o espírito de tensão, conflito entre tendências opostas: de um lado, o teocentrismo medieval e, de outro, o antropocentrismo renascentista.
d) A arte barroca é vinculada à Contra-Reforma.
e) O barroco caracteriza-se pela sintaxe obscura, uso de hipérbole e de metáforas.
04. (VUNESP)
Ardor em firme coração nascido;
pranto por belos olhos derramado;
incêndio em mares de água disfarçado;
rio de neve em fogo convertido:
tu, que em um peito abrasas escondido;
tu, que em um rosto corres desatado;
quando fogo, em cristais aprisionado;
quando crista, em chamas derretido.
Se és fogo, como passas brandamente,
se és fogo, como queimas com porfia?
Mas ai, que andou Amor em ti prudente!
Pois para temperar a tirania,
como quis que aqui fosse a neve ardente,
permitiu parecesse a chama fria.
O texto pertencente a Gregório de Matos e apresenta todas seguintes características:
a) Trocadilhos, predomínio de metonímias e de símiles, a dualidade temática da sensualidade e do refreamento, antíteses claras dispostas em ordem direta.
b) Sintaxe segundo a ordem lógica do Classicismo, a qual o autor buscava imitar, predomínio das metáforas e das antíteses, temática da fugacidade do tempo e da vida.
c) Dualidade temática da sensualidade e do refreamento, construção sintática por simétrica por simetrias sucessivas, predomínio figurativo das metáforas e pares antitéticos que tendem para o paradoxo.
d) Temática naturalista, assimetria total de construção, ordem direta predominando sobre a ordem inversa, imagens que prenunciam o Romantismo.
e) Verificação clássica, temática neoclássica, sintaxe preciosista evidente no uso das síntese, dos anacolutos e das alegorias, construção assimétrica.
05. A respeito de Gregório de Matos, assinale a alternativa, incorreta:
a) Alguns de seus sonetos sacros e líricos transpõem, com brilho, esquemas de Gôngora e de Quevedo.
b) Alma maligna, caráter rancoroso,relaxado por temperamento e costumes, verte fel em todas as suas sátiras.
c) Na poesia sacra, o homem não busca o perdão de Deus; não existe o sentimento de culpa, ignorando-se a busca do perdão divino.
d) As suas farpas dirigiam-se de preferência contra os fidalgos caramurus.
e) A melhor produção literária do autor é constituída de poesias líricas, em que desenvolve temas constantes da estática barroca, como a transitoriedade da vida e das coisas.
Texto para as questões 06 a 08
À INSTABILIDADE DAS COUSAS DO MUNDO
Nasce o Sol, e não dura mais que um dia,
Depois da Luz se segue a noite escura,
Em tristes sombras morre a formosura,
Em continuas tristezas a alegrias,
Porém, se acaba o Sol, por que nascia?
Se é tão formosa a Luz, por que não dura?
Como a beleza assim se transfigura?
Como o gosto, da pena assim se fia?
Mas no Sol, e na Luz falte a firmeza,
Na formosura não se dê constância,
E na alegria, sinta-se triste.
Começa o Mundo enfim pela ignorância
A firmeza somente na inconstância.
06. No texto predominaram as imagens:
a) olfativas; b) gustativas; c) auditivas; d) táteis; e) visuais.
07. A idéia central do texto é:
a) a duração efêmera de todas as realidades do mundo;
b) a grandeza de Deus e a pequenez humana;
c) os contrastes da vida;
d) a falsidade das aparências;
e) a duração prolongada do sofrimento.
08. Qual é o elemento barroco mais característico da 1ª estrofe?
a) disposição antitética da frase;
b) cultismo;
c) estrutura bimembre;
d) concepção teocênctrica;
e) estrutura correlativa, disseminativa e recoletiva.
09. (SANTA CASA) A preocupação com a brevidade da vida induz o poeta barroco a assumir uma atitude que:
a) descrê da misericórdia divina e contesta os valores da religião;
b) desiste de lutar contra o tempo, menosprezando a mocidade e a beleza;
c) se deixa subjugar pelo desânimo e pela apatia dos céticos;
d) se revolta contra os insondáveis desígnios de Deus;
e) quer gozar ao máximo seus dias, enquanto a mocidade dura.
10. (UEL) Identifique a afirmação que se refere a Gregório de Matos:
a) No seu esforço da criação a comédia brasileira, realiza um trabalho de crítica que encontra seguidores no Romantismo e mesmo no restante do século XIX.
b) Sua obra é uma síntese singular entre o passado e o presente: ainda tem os torneios verbais do Quinhentismo português, mas combina-os com a paixão das imagens pré-românticas.
c) Dos poetas arcádicos eminentes, foi sem dúvida o mais liberal, o que mais claramente manifestou as idéias da ilustração francesa.
d) Teve grande capacidade em fixar num lampejo os vícios, os ridículos, os desmandos do poder local, valendo-se para isso do engenho artificioso que caracteriza o estilo da época.
e) Sua famosa sátira à autoridade portuguesa na Minas do chamado ciclo do ouro é prova de que seus talento não se restringia ao lirismo amoroso.
Resumo da disciplina de Português para o Ensino Médio - Enem
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Texto: O Peru de Natal
Mário de Andrade
O nosso primeiro Natal de família, depois da morte de meu pai acontecida cinco meses antes, foi de conseqüências decisivas para a felicidade familiar. Nós sempre fôramos familiarmente felizes, nesse sentido muito abstrato da felicidade: gente honesta, sem crimes, lar sem brigas internas nem graves dificuldades econômicas. Mas, devido principalmente à natureza cinzenta de meu pai, ser desprovido de qualquer lirismo, de uma exemplaridade incapaz, acolchoado no medíocre, sempre nos faltara aquele aproveitamento da vida, aquele gosto pelas felicidades materiais, um vinho bom, uma estação de águas, aquisição de geladeira, coisas assim. Meu pai fora de um bom errado, quase dramático, o puro-sangue dos desmancha-prazeres.
Morreu meu pai, sentimos muito, etc. Quando chegamos nas proximidades do Natal, eu já estava que não podia mais pra afastar aquela memória obstruente do morto, que parecia ter sistematizado pra sempre a obrigação de uma lembrança dolorosa em cada almoço, em cada gesto mínimo da família. Uma vez que eu sugerira à mamãe a idéia dela ir ver uma fita no cinema, o que resultou foram lágrimas. Onde se viu ir ao cinema, de luto pesado! A dor já estava sendo cultivada pelas aparências, e eu, que sempre gostara apenas regularmente de meu pai, mais por instinto de filho que por espontaneidade de amor, me via a ponto de aborrecer o bom do morto.
Foi decerto por isto que me nasceu, esta sim, espontaneamente, a idéia de fazer uma das minhas chamadas "loucuras". Essa fora aliás, e desde muito cedo, a minha esplêndida conquista contra o ambiente familiar. Desde cedinho, desde os tempos de ginásio, em que arranjava regularmente uma reprovação todos os anos; desde o beijo às escondidas, numa prima, aos dez anos, descoberto por Tia Velha, uma detestável de tia; e principalmente desde as lições que dei ou recebi, não sei, de uma criada de parentes: eu consegui no reformatório do lar e na vasta parentagem, a fama conciliatória de "louco". "É doido, coitado!" falavam. Meus pais falavam com certa tristeza condescendente, o resto da parentagem buscando exemplo para os filhos e provavelmente com aquele prazer dos que se convencem de alguma superioridade. Não tinham doidos entre os filhos. Pois foi o que me salvou, essa fama. Fiz tudo o que a vida me apresentou e o meu ser exigia para se realizar com integridade. E me deixaram fazer tudo, porque eu era doido, coitado. Resultou disso uma existência sem complexos, de que não posso me queixar um nada.
Era costume sempre, na família, a ceia de Natal. Ceia reles, já se imagina: ceia tipo meu pai, castanhas, figos, passas, depois da Missa do Galo. Empanturrados de amêndoas e nozes (quanto discutimos os três manos por causa dos quebra-nozes...), empanturrados de castanhas e monotonias, a gente se abraçava e ia pra cama. Foi lembrando isso que arrebentei com uma das minhas "loucuras":
— Bom, no Natal, quero comer peru.
Houve um desses espantos que ninguém não imagina. Logo minha tia solteirona e santa, que morava conosco, advertiu que não podíamos convidar ninguém por causa do luto.
— Mas quem falou de convidar ninguém! essa mania... Quando é que a gente já comeu peru em nossa vida! Peru aqui em casa é prato de festa, vem toda essa parentada do diabo...
— Meu filho, não fale assim...
— Pois falo, pronto!
E descarreguei minha gelada indiferença pela nossa parentagem infinita, diz-que vinda de bandeirantes, que bem me importa! Era mesmo o momento pra desenvolver minha teoria de doido, coitado, não perdi a ocasião. Me deu de sopetão uma ternura imensa por mamãe e titia, minhas duas mães, três com minha irmã, as três mães que sempre me divinizaram a vida. Era sempre aquilo: vinha aniversário de alguém e só então faziam peru naquela casa. Peru era prato de festa: uma imundície de parentes já preparados pela tradição, invadiam a casa por causa do peru, das empadinhas e dos doces. Minhas três mães, três dias antes já não sabiam da vida senão trabalhar, trabalhar no preparo de doces e frios finíssimos de bem feitos, a parentagem devorava tudo e ainda levava embrulhinhos pros que não tinham podido vir. As minhas três mães mal podiam de exaustas. Do peru, só no enterro dos ossos, no dia seguinte, é que mamãe com titia ainda provavam num naco de perna, vago, escuro, perdido no arroz alvo. E isso mesmo era mamãe quem servia, catava tudo pro velho e pros filhos. Na verdade ninguém sabia de fato o que era peru em nossa casa, peru resto de festa.
Não, não se convidava ninguém, era um peru pra nós, cinco pessoas. E havia de ser com duas farofas, a gorda com os miúdos, e a seca, douradinha, com bastante manteiga. Queria o papo recheado só com a farofa gorda, em que havíamos de ajuntar ameixa preta, nozes e um cálice de xerez, como aprendera na casa da Rose, muito minha companheira. Está claro que omiti onde aprendera a receita, mas todos desconfiaram. E ficaram logo naquele ar de incenso assoprado, se não seria tentação do Dianho aproveitar receita tão gostosa. E cerveja bem gelada, eu garantia quase gritando. É certo que com meus "gostos", já bastante afinados fora do lar, pensei primeiro num vinho bom, completamente francês. Mas a ternura por mamãe venceu o doido, mamãe adorava cerveja.
Quando acabei meus projetos, notei bem, todos estavam felicíssimos, num desejo danado de fazer aquela loucura em que eu estourara. Bem que sabiam, era loucura sim, mas todos se faziam imaginar que eu sozinho é que estava desejando muito aquilo e havia jeito fácil de empurrarem pra cima de mim a... culpa de seus desejos enormes. Sorriam se entreolhando, tímidos como pombas desgarradas, até que minha irmã resolveu o consentimento geral:
— É louco mesmo!...
Comprou-se o peru, fez-se o peru, etc. E depois de uma Missa do Galo bem mal rezada, se deu o nosso mais maravilhoso Natal. Fora engraçado:assim que me lembrara de que finalmente ia fazer mamãe comer peru, não fizera outra coisa aqueles dias que pensar nela, sentir ternura por ela, amar minha velhinha adorada. E meus manos também, estavam no mesmo ritmo violento de amor, todos dominados pela felicidade nova que o peru vinha imprimindo na família. De modo que, ainda disfarçando as coisas, deixei muito sossegado que mamãe cortasse todo o peito do peru. Um momento aliás, ela parou, feito fatias um dos lados do peito da ave, não resistindo àquelas leis de economia que sempre a tinham entorpecido numa quase pobreza sem razão.
— Não senhora, corte inteiro! Só eu como tudo isso!
Era mentira. O amor familiar estava por tal forma incandescente em mim, que até era capaz de comer pouco, só-pra que os outros quatro comessem demais. E o diapasão dos outros era o mesmo. Aquele peru comido a sós, redescobria em cada um o que a quotidianidade abafara por completo, amor, paixão de mãe, paixão de filhos. Deus me perdoe mas estou pensando em Jesus... Naquela casa de burgueses bem modestos, estava se realizando um milagre digno do Natal de um Deus. O peito do peru ficou inteiramente reduzido a fatias amplas.
— Eu que sirvo!
"É louco, mesmo" pois por que havia de servir, se sempre mamãe servira naquela casa! Entre risos, os grandes pratos cheios foram passados pra mim e principiei uma distribuição heróica, enquanto mandava meu mano servir a cerveja. Tomei conta logo de um pedaço admirável da "casca", cheio de gordura e pus no prato. E depois vastas fatias brancas. A voz severizada de mamãe cortou o espaço angustiado com que todos aspiravam pela sua parte no peru:
— Se lembre de seus manos, Juca!
Quando que ela havia de imaginar, a pobre! que aquele era o prato dela, da Mãe, da minha amiga maltratada, que sabia da Rose, que sabia meus crimes, a que eu só lembrava de comunicar o que fazia sofrer! O prato ficou sublime.
— Mamãe, este é o da senhora! Não! não passe não!
Foi quando ela não pode mais com tanta comoção e principiou chorando. Minha tia também, logo percebendo que o novo prato sublime seria o dela, entrou no refrão das lágrimas. E minha irmã, que jamais viu lágrima sem abrir a torneirinha também, se esparramou no choro. Então principiei dizendo muitos desaforos pra não chorar também, tinha dezenove anos... Diabo de família besta que via peru e chorava! coisas assim. Todos se esforçavam por sorrir, mas agora é que a alegria se tornara impossível. É que o pranto evocara por associação a imagem indesejável de meu pai morto. Meu pai, com sua figura cinzenta, vinha pra sempre estragar nosso Natal, fiquei danado.
Bom, principiou-se a comer em silêncio, lutuosos, e o peru estava perfeito. A carne mansa, de um tecido muito tênue boiava fagueira entre os sabores das farofas e do presunto, de vez em quando ferida, inquietada e redesejada, pela intervenção mais violenta da ameixa preta e o estorvo petulante dos pedacinhos de noz. Mas papai sentado ali, gigantesco, incompleto, uma censura, uma chaga, uma incapacidade. E o peru, estava tão gostoso, mamãe por fim sabendo que peru era manjar mesmo digno do Jesusinho nascido.
Principiou uma luta baixa entre o peru e o vulto de papai. Imaginei que gabar o peru era fortalecê-lo na luta, e, está claro, eu tomara decididamente o partido do peru. Mas os defuntos têm meios visguentos, muito hipócritas de vencer: nem bem gabei o peru que a imagem de papai cresceu vitoriosa, insuportavelmente obstruidora.
— Só falta seu pai...
Eu nem comia, nem podia mais gostar daquele peru perfeito, tanto que me interessava aquela luta entre os dois mortos. Cheguei a odiar papai. E nem sei que inspiração genial, de repente me tornou hipócrita e político. Naquele instante que hoje me parece decisivo da nossa família, tomei aparentemente o partido de meu pai. Fingi, triste:
— É mesmo... Mas papai, que queria tanto bem a gente, que morreu de tanto trabalhar pra nós, papai lá no céu há de estar contente... (hesitei, mas resolvi não mencionar mais o peru) contente de ver nós todos reunidos em família.
E todos principiaram muito calmos, falando de papai. A imagem dele foi diminuindo, diminuindo e virou uma estrelinha brilhante do céu. Agora todos comiam o peru com sensualidade, porque papai fora muito bom, sempre se sacrificara tanto por nós, fora um santo que "vocês, meus filhos, nunca poderão pagar o que devem a seu pai", um santo. Papai virara santo, uma contemplação agradável, uma inestorvável estrelinha do céu. Não prejudicava mais ninguém, puro objeto de contemplação suave. O único morto ali era o peru, dominador, completamente vitorioso.
Minha mãe, minha tia, nós, todos alagados de felicidade. Ia escrever «felicidade gustativa», mas não era só isso não. Era uma felicidade maiúscula, um amor de todos, um esquecimento de outros parentescos distraidores do grande amor familiar. E foi, sei que foi aquele primeiro peru comido no recesso da família, o início de um amor novo, reacomodado, mais completo, mais rico e inventivo, mais complacente e cuidadoso de si. Nasceu de então uma felicidade familiar pra nós que, não sou exclusivista, alguns a terão assim grande, porém mais intensa que a nossa me é impossível conceber.
Mamãe comeu tanto peru que um momento imaginei, aquilo podia lhe fazer mal. Mas logo pensei: ah, que faça! mesmo que ela morra, mas pelo menos que uma vez na vida coma peru de verdade!
A tamanha falta de egoísmo me transportara o nosso infinito amor... Depois vieram umas uvas leves e uns doces, que lá na minha terra levam o nome de "bem-casados". Mas nem mesmo este nome perigoso se associou à lembrança de meu pai, que o peru já convertera em dignidade, em coisa certa, em culto puro de contemplação.
Levantamos. Eram quase duas horas, todos alegres, bambeados por duas garrafas de cerveja. Todos iam deitar, dormir ou mexer na cama, pouco importa, porque é bom uma insônia feliz. O diabo é que a Rose, católica antes de ser Rose, prometera me esperar com uma champanha. Pra poder sair, menti, falei que ia a uma festa de amigo, beijei mamãe e pisquei pra ela, modo de contar onde é que ia e fazê-la sofrer seu bocado. As outras duas mulheres beijei sem piscar. E agora, Rose!...
Mário de Andrade (1893-1945), nasceu em São Paulo, mostrando desde cedo inclinação pela música e literatura. Seu interesse pelas artes levou-o a realizar em São Paulo, de parceria com Oswald de Andrade, a Semana de Arte Moderna, que rasgou novas perspectivas para a cultura brasileira. Sua obra, essencialmente brasileira, reflete um nacionalismo humanista, que nada tem de místico e abstrato. "Macunaíma", baseada em temas folclóricos é, geralmente, considerada a sua obra-prima.
Dom Casmurro - livro em PDF
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